#JUDCon2014:Brazil em Setembro!

Neste ano teremos mais uma edição do #JUDCon no Brail. Evento que reune a comunidade de desenvolvedores e arquitetos para discutir e compartilhar experiências sobre arquitetura e desenvolvimento de software corporativo. O evento conta com renomados profissionais e personalidades envolvidos em projetos de diversas áreas como: JavaEE, Cloud Computing, BigData, SOA, DevOps e muito mais.

Se você utiliza alguma tecnologia JBoss ou está interessado em conhecer as últimas novidades do universo JavaEE e outras tendências, participe do evento que ocorrerá dia 26 de Agosto em São Paulo.

Veja alguns nomes já confirmados para esta edição do evento.

Incrições podem ser feitas aqui.

Caso tenha interesse em compartilhar suas experiências submeta sua palestra aqui:

Participe!

 

Um pouco sobre a plataforma OpenStack

Neste post pretendo falar um pouco sobre a plataforma OpenStack. Apesar de não ser um especialista em Cloud Computing, gosto de ficar antenado no que acontece no vasto mundo da TI.

O que é OpenStack?

Em um primeiro momento poderíamos definir vagamente OpenStack como um software de cloud computing. Sendo um pouco mais específico: um Sistema Operacional projetado para nuvem capaz de controlar uma enorme quantidade de recursos computacionais (processamento, armazenamento e rede) em um Datacenter. Um cenário típico de um ambiente de cloud.

Entretanto, acho mais apropriando definir OpenStack como um projeto aberto cujo objetivo é servir como plataforma base para construção de nuvens públicas ou privadas.

o termo “projeto aberto” neste contexto merece destaque, pois implica que o projeto nasceu com o objetivo de ser transparente e independente de fabricante. O site do projeto destaca os seguintes valores baseados nessa filosofia: open source, open design, open development and an open community.

Como “plataforma base” poderíamos empregar o software OpenStack, por exemplo, para construção de uma solução de Infraestutura como Serviço (Infrastructure as a Service – IaaS). Sendo um pouco mais prático, uma plataforma de IaaS é um dos serviços oferecidos pela Amazon AWS através da plataforma Amazon EC2. Basicamente uma plataforma de IaaS fornece meios para criação/provisionamento de máquinas virtuais (ou nós computacionais) sob demanda. Permitindo ainda que sua infraestrutura de servidores possa expandir ou encolher de forma elástica de acordo com a necessidade da sua aplicação (Workload computacional). Usando o OpenStack teríamos neste caso uma versão OpenSource da Amazon EC2 :-p

Projetos semelhantes e “concorrentes”

Os três principais projetos de sofware para cloud computing baseados em desenvolvimento aberto no momento são:

Dos três o que tem recebido mais atenção no mercado é sem dúvida o OpenStack. Apesar de ser um projeto recente e imaturo, podemos afirmar que ele se destaca pela comunidade envolvida, bem como o grande número de fabricantes apoiando e suportando o projeto. Outro fator importante é a adoção em larga escala no mercado de cloud. Empresas como HP, Rackspace, eBay, NASA, MercadoLibre, PayPal dentre outras, vêm adotado o OpenStack como base para suas plataformas de IaaS.

A página OpenStack Marketplace oferece uma lista atualizada de como o mercado tem utilizado e oferecido soluções de cloud baseadas no OpenStack. As empresas se dividem em ofertas de: Training, Distros e Appliances, Public Clouds, Consulting & Integrators e Drivers.

Aplicabilidade

OpenStack não se aplica apenas a Cloud Providers (ex: Amazon AWS, Rackspace ou Microsoft Azure) ou empresas que desejam implementar uma nuvem pública. Para aquelas organizaçcões que desejam implementar um modelo de computação em nuvem semelhante ao praticado pelos grandes provedores, OpenStack fornece a base ideal para a implementação de uma nuvem privada em um Datacenter corporativo.

A arquitetura do OpenStack contempla um Dashboard de administração que fornece as ferramentas necessárias para provisionamento e gerenciamento dos recursos computacionais. Veja este vídeo demostrando as funcionalidades do OpenStack Dashboard.

Outro ponto importante a ser considerado diz respeito ao tipo de aplicação costuma ser hospedada em cima de uma infraestrutura de nuvem. Não apenas na plataforma OpenStack, mas em qualquer plataforma de nuvem. Esse tipo de infraestrutura é projetado para oferecer acima de tudo escalabilidade, ou seja, para suportar workloads que demandam principalmente elasticidade. Dessa forma as aplicações desenvolvidas para este tipo de ambiente devem seguir um paradigma que permita escalar de forma indefinida. Geralmente são aplicações web sem estado (stateless web apps), Big Data processing, Web Services, RESTful Services, Caching, HPC processing etc, projetadas para nuvem. Aplicações preparadas para lidar com tolerância a falha, crescimento e diminuição, dados e processamento distribuída, cache em memória, multi-tenancy e todas as demais particularidades inerentes à este tipo de ambiente.

Partindo deste conceito OpenStack não deve ser confundido como uma plataforma de virtualização tradicional (ex: RHEV, Citrix Xen Server, VMWare etc). Pois como o próprio site sugere:

OpenStack Software delivers a massively scalable cloud operating system.

OpenStack é uma plataforma para provisionamento massivo de recursos computacionais. Tem como característica primordial a elasticidade (scale up/scale down). Neste tipo de ambiente máquinas (server nodes) são criadas e eliminadas sem prejuízo para o funcionamento da aplicação. Para aplicações projetadas para esse tipo de ambiente.

Arquitetura

Como uma plataforma de computação em nuvem o OpenStack foi projetado para ser extremamente escalável e flexível. A plataforma é composta por vários “sub-projetos” que juntos formam o seu núcleo (core).  Sua arquitetura é modular e formada por vários componentes que juntos implementam as funcionalidades dos três pilares que sustentam uma infraestrutura de nuvem: Processamento (compute), Rede (networking) e  Armazenamento (storing).

Cada componente possui um codename que o identifica e implementa um conjunto de funcionalidades dentro da plataforma:

  • Nova (openstack compute)
  • Neutron (openstack networking)
  • Swift (openstack object storage)
  • Cinder (openstack block storage)
  • Horizon (openstack dashboard)

Além dos componentes que formam o core do OpenStack a plataforma conta com um conjunto de serviços que integra cada componente para fornecer uma plataforma de IaaS completa. Essa integração é possível porque cada componente disponibiliza um conjunto APIs que permite o acesso às suas funcionalidades. Os serviços são os seguintes:

  • Keystone (Identity Service)
  • Glance (Image Service)
  • Ceilometer (Telemetry Service)
  • Heat (Orchestration Service)
  • Trove (Database Service)

Devido a sua arquitetura modular e flexível a plataforma permite a extensão de forma que serviços e ferramentas de terceiros possam ser integrados ao OpenStack para formar uma solução de cloud computing ainda mais rica e completa. Esse tipo de extensão permite que fornecedores de software ofereçam plataformas que vão além do IaaS. Contemplando soluções de PaaS (ex: Red Hat Openshift Enterprise) e Governança de nuvens híbridas (Red Hat Cloud Forms).

Não pretendo abordar cada componente ou serviço neste post. Seria necessário um post específico para entrarmos em detalhes técnicos. Esta página da documentação oficial descreve um overview explorando detalhes técnicos dos componentes e serviços do OpenStack, bem como suas respectivas funcionalidades e responsabilidades dentro do projeto.

Implementação

Apesar de ser um software o OpenStack não deve ser considerado um produto. OpenStack está mais para um framework de infraestrutura para nuvem do que para um produto final. É um projeto que evolui em uma velocidade incrível, mas com consistência.

Não é raro encontrar relatos pela Internet alegando dificuldades na implementação de um projeto com OpenStack. Entretanto, isso não tem sido considerado impedimento para escolher o OpenStack como base para implementação de uma nuvem pública ou privada. Basta observar o crescente número de casos de uso da plataforma por grandes players da indústria.

O projeto está em constante evolução e não tem por objetivo criar relases do tipo Enterprise Edition. Veja  o que diz o próprio wiki do projeto:

We do not produce “open core” software.

We are committed to creating truly open source software that is usable and scalable. Truly open source software is not feature or performance limited and is not crippled. There will be no “Enterprise Edition”.

OpenStack Enterprise

Existem diferentes distibuições do OpenStack suportadas e oferecidas por diferentes players da industria de software. A Red Hat se destaca nessa lista por sua inquestionável reputação como provedora de software corporativo baseado em código aberto. A Red Hat oferece sua distribuição chamada Red Hat® Enterprise Linux® OpenStack® Platform (RHEL-OSP). Trata-se de uma versão corporativa (enterprise-ready) do OpenStack que utiliza produtos consagrados como o Red Hat Enterprise Linux, SELinux, KVM Hypervisor, Red Hat Storage etc. Veja nesta página quais componentes e serviços da plataforma são oferecidos no RHEL-OSP. Vale ressaltar que a Red Hat faz parte do grupo dos oito membros Platinum que suportam o projeto OpenStack dedicando recursos em tempo integral.

Conclusão

Neste post tentei explorar de forma superficial os principais aspectos da plataforma OpenStack. Fiz questão de referenciar vários artigos e documentos oficiais que dizem respeito ao OpenStack para enriquecer a discussão.

Vimos também alguns pontos que fazem do OpenStack uma plataforma de cloud computing extremamente robusta e flexível. E o mais importante, o compromisso da plataforma de ser independente de fornecedor, primando pelos valores da filosofia OpenSource.

Espero que o post possa agregar valor ao leitor e despertar a curiosidade por assuntos relacionados a computação em nuvem.

Abraço ;-)

Instalando o Oracle VirtualBox no RHEL 6.x

Recentemente precisei instalar o Oracle VirtualBox (um projeto anteriormente mantido pela Sun Microsystems) em um laptop rodando o RHEL 6.5 (x86_64).

Apesar da instalação do pacote ocorrer sem erro.

# sudo yum localinstall ~/Downloads/VirtualBox-4.3-4.3.12_93733_el6-1.x86_64.rpm

Tive algumas dificuldades devido a falta de alguns pacotes e configurações. Ao executar o VirtualBox pelo terminal pela primeira vez uma mensagem de erro é mostrada instruindo executar o seguinte comando:

# sudo /etc/init.d/vboxdrv setup

Mais erros ocorrem devido a falta de algumas dependências, entre elas, os headers e o código fonte do Kernel do Linux. Para sanar este problema instale os seguintes pacotes via YUM:

sudo yum install kernel-devel kernel-headers binutils glibc-headers glibc-devel gcc make patch dkms

em seguida defina a seguinte variável de ambiente

# export KERN_DIR=/usr/src/kernels/2.6.32-431.11.2.el6.x86_64 #a versão do kernel no seu ambiente pode ser diferente

por fim execute novamente o comando abaixo:

# sudo /etc/init.d/vboxdrv setup

Se tudo der certo após esses passos o VirtualBox deverá ser iniciado normalmente sem erros. Pronto, agora pode começar a criar suas VMs com o VirtualBox.

 

 

Oracle Fusion Middleware: conceitos

Oracle Fusion Middleware (OFM) é uma família de produtos que compreende desde ferramentas de desenvolvimento para a plataforma Java Enterprise Edition (JavaEE), até  soluções para integração de sistemas, gerenciamento de identidade, colaboração e Business Intelligence (BI). O OFM é fornecido e mantido pela empresa Oracle e é composto por uma grande variedade de produtos que oferecem suporte ao desenvolvimento, implantação e gerenciamento de sistemas para a plataforma JavaEE.

De forma bem simplista podemos definir middleware como sendo o software responsável por conectar componentes de software ou aplicações corporativas. Em um sistema multicamadas (ex: três camadas: apresentação, lógica/negócio e dados) o Middleware atua na camada do meio hospedando os componentes com a lógica de negócio da aplicação. Outra função importate do Middleware é fornecer a infraestrutura necessária para o desenvolvimento de aplicações de negócio (business applications). Serviços tais como: acesso concorrente à recursos computacionais, controle transacional, mensageria, segurança, logging etc. Tudo isso é oferecido pelo Middleware de forma, pelo menos em tese, a deixar o desenvolvedor responsável apenas com o que diz respeito ao negócio da aplicação.

A imagem a seguir destaca alguns componentes do OFM em uma visão de divisão em três camadas.

Oracle Fusion Middleware Architecture

Não se preocupe com o significado de cada componente que aparece na imagem acima neste momento. Ao longo do post iremos comentar os principais deles.

Dada uma breve descrição sobre o OFM exponho neste post alguns conceitos importantes para aqueles que pretendem iniciar sua jornada pelo arcabouço de produtos que compõem o Middleware da Oracle.

Hoje em dia instalar um software não é tarefa complicada. Para obter o binário correto basta saber em qual plataforma (arquitetura de hardware e sistema operacional) de destino da instalação e realizar o download no site do fornecedor. Em seguida basta seguir o guia de instalação do produto. Entretanto, para alguns tipos de software, existem alguns aspectos importantes que devem ser observados para evitar problemas futuros. É o caso do Middleware. Uma solução de Middleware geralmente é composta por uma variedade de componentes desenvolvida sob uma arquitetura modular. Essa característica implica uma certa complexidade na gerência do software que vai desde a instalação, operação até a gerência do ambiente.

Middleware Component

O primeiro conceito diz respeito aos tipos de componentes utilizados no OFM. Existem dois tipos:

  • java component: componente composto por uma ou mais aplicações e recursos JavaEE impltantado (deployado) em um domínio do Oracle Weblogic Server. Exemplos:
    • Oracle SOA Suite
    • Oracle Webcenter Portal
    • Oracle Business Intelligence Enterprise Edition
  • system component: serviço (processo) gerenciado pelo Oracle Process Manager and Notification (OPMN) – gerenciador de processos com uma interface de linha de comando (CLI). Exemplos:
    • Oracle Http Server
    • Oracle Web Cache
    • Oracle Internet Directory
    • Oracle Forms
    • Oracle Reports
    • Oracle Business Intelligence

Todo produto da linha OFM é executado sobre um mesmo componente de middleware: o Weblogic Server (WLS). Esta é a “runtime” (não confundir com a Java Virtual Machine – JVM sobre a qual roda o Weblogic) de todo o middleware Oracle. Em praticamente toda a instalação de um produto OFM você encontrará uma estrutura de diretórios contendo os binários do Weblogic.

Após instalar o OFM teremos um ambiente composto por, pelo menos:

  • Um Oracle Weblogic Server Domain, que nada mais é que um conjunto de instâncias de servidores conhecido como Managed Servers, sendo que um deles é utilizado para administração dos demais – o Administration Console. Os managed servers hospedam as aplicações e recursos (java component) JavaEE (EJBs, Data Sources, JMS Destinations, etc).
  • Um ou mais Oracle Instance (system component).
  • Se o componente/produto do OFM (ex: Oracle Business Intelligence ou Oracle SOA Suite) necessitar de um banco de dados de metadados, um database será criado como metadata repository.

Dessa forma é muito importante se familiarizar com a estrutura de diretórios utilizada na instalação do WLS. A imagem abaixo esquematiza a estrutura criada para a instalação do produto Oracle SOA Suite.

Oracle Middleware Home

Middleware Home e Weblogic Home

O Middleware Home é o diretório raiz de qualquer componente/produto (java ou system component) do OFM. Logo abaixo encontra-se o Weblogic Server Home criado durante a instalação do Weblogic. O Weblogic Home hospeda o servidor de aplicação Weblogic.

Weblogic Server Home após a instalação do Weblogic

NOTA: um detalhe importante e que confunde bastante em alguns casos é: em um mesmo Host o diretório Middleware Home deve ser único para uma determinada release do OFM (ex: 11g ou 12c). Outro detalhe é que dentro do Middleware Home só pode haver um Weblogic Server Home. Dessa forma não é possível instalar duas versões diferentes do Weblogic dentro de uma mesma estrutura do Middleware Home. Quando for necessário instalar releases diferentes do OFM em um mesmo Host recomenda-se criar estrutura de diretórios diferentes para cada release (ex: Middleware11g e Middleware12c).

No mesmo nível do Weblogic Server Home encontram-se outros diretórios. Abaixo descrevemos cada um deles.

Oracle Home

Com exceção do Weblogic Server Home, que contém os binários do application server, cada produto OFM é instalado em seu próprio Oracle Home. Este diretório armazena os binários do produto. Dessa forma nenhum processo escreve nele. No diagrama abaixo os binários do Oracle SOA Suite foram instalados dentro do Oracle Home chamado oracle_soa1 (neste caso também referenciado como SOA Oracle Home). Para produtos do tipo java component um weblogic domain também é criado para hospeda a aplicação e recursos JavaEE que compõem o produto.

Oracle Home após a instalação do Oracle SOA Suite

Oracle Home após a instalação do Oracle SOA Suite

Domain Home

Um Weblogic Domain deve ser entendido como um grupo lógico de java components (neste contexto são aplicações e recursos JavaEE). Um domínio é composto por um Administration Server (geralmente referenciado como admin server) e geralmente possui um ou mais Managed Servers (também referenciados como instâncias do weblogic). As aplicações e recursos são implantadas e executadas dentro do(s) Managed Server(s). Na instalação padrão de um produto do OFM a estrutura de diretórios utilizada para hospedar um domínio do weblogic segue o digrama abaixo:

SOA Domain após a instalação do Oracle SOA Suite

SOA Domain após a instalação do Oracle SOA Suite

O domínio não necessariamente deve residir dentro do diretório User Projects na estrutura do Oracle Middleware Home. Observe que a estrutura utilizada para hospedar o domain está fora do Weblogic Home e pode, inclusive, residir fora do Middleware Home (ex: em um storage remoto utilizando um protocolo NFS ou SAN). O diagrama abaixo destaca o domain criado para o Oracle SOA Suite.

É muito comum a instalação de vários produtos OFM em um mesmo ambiente/host. Dessa forma cada produto pode utilizar seu próprio domínio weblogic. O diagrama abaixo destaca dois domains distintos: um para hospedar o Oracle WebCenter e outro para o Oracle SOA Suite. Observe também dois Oracle Homes distintos, um para cada produto OFM.

Estrutura de Weblogic Domains para múltiplos produtos OFM instalados em um mesmo ambiente Oracle Middleware.

Estrutura de Weblogic Domains para múltiplos produtos OFM instalados em um mesmo ambiente Oracle Middleware.

NOTA: todos os produtos instalados dentro de uma estrutura Oracle Middleware Home devem ser compatíveis com a mesma release do OFM utilizada no ambiente em questão. Por exemplo, não seria possível instalar o Oracle WebCenter 12c em um ambiente preparado para o OFM 11g.

Outro aspecto interessante relacionado ao Weblogic Domain é possibilidade de extender (escalar) determinado domínio existente dentro de um host. Durante a criação ou configuração de um domain é possível adicionar novos managed servers, seja para extender um produto ou reutilizar um mesmo domínio. Por exemplo, ao invés de criar um novo domínio para instalar o Oracle WebCenter, poderíamos utilizar o mesmo domain criado para o Oracle SOA Suite. Nesse caso a estrutura de diretórios do OFM em nosso ambiente ficaria conforme a imagem abaixo:

Domínio extendido

Domínio extendido

Oracle Instance

Diferentemente dos diretórios descritos nos tópicos anteriores um diretório Oracle Instance hospeda system components, ou seja, serviços/processos não JavaEE tais como: Oracle Http Server, Oracle Web Cache ou Oracle Internet Directory.

Diferentemente do Oracle Home um diretório Oracle Instance contém arquivos passíveis de alteração (configuração, logs e temporários gerados durante a execução do processo/serviço). Assim como o diretório Weblogic Domain um Oracle Instance pode residir fora da estrutura do Oracle Middleware. O diagrama abaixo destaca um ambiente OFM contendo dois produtos instalados: um system component (WebTier composto por Oracle Http Server e Oracle WebCache) e um java component (Oracle SOA Suite), este último reside em um Weblogic Domain:

OFM com Webtier (system component) e SOA Suite (java compoenent - Weblogic Domain)

OFM com Webtier (system component) e SOA Suite (java compoenent – Weblogic Domain)

Oracle Common Home

Este diretório não está associado à um componente ou produto específico dentro da estrutura Oracle Middleware Home. Ele contém uma variedade de utilitários e bibliotecas utilizadas e necessárias pela solução de gerenciamento e monitoramento do OFM conhecida como Oracle (Enterprise Manager) Fusion Middleware Control e também pelo conjunto de bibliotecas, não incluídas por padrão no Weblogic, Java Required Files (JRF).

NOTA: dentro da estrutura Middleware Home só pode haver um único diretório Oracle Common.

O diagrama abaixo destaca o diretório Oracle Common Home:

Oracle Common Directory

Oracle Common Directory

Oracle Metadata Repository

Alguns produtos do OFM, tais como o Oracle BPEL Process Manager, Oracle Business Activity Monitoring, Oracle Business Intelligence necessitam de um Banco de Dados específicos para armazenar metadados do produto. Um Metadata Repository pode ser de dois tipos: baseado em banco de dados (database-based) ou baseado em um sistema de arquivos (filesystem-based). Embora os dois tipos sejam suportados a Oracle recomenda a utilização de repositórios baseados em Banco de Dados para o ambiente de produção.

Para esses produtos que necessitam de um repositório de metadados é necessário executar o passo de criação do repositório antes de prosseguir com a instalação do produto. Para isso é utilizada uma ferramenta específica: o Repository Creation Utility (RCU). Essa ferramenta cria os schemas de Banco de Dados necessários para o funcionamento do produto.

O diagrama abaixo destaca o Metadata Repository utilizado pelo produto Oracle SOA Suite:

Oracle SOA Suite's metadata repository

Oracle SOA Suite’s metadata repository

Espero com este post ter esclarecido alguns conceitos, geralmente ignorados ou confundidos, durante a instalação ou preparação de um ambiente de execução do Oracle Fusion Middleware. A fonte de referência para os conceitos aqui expostos é a excelente documentação oficial do produto disponível no siste da Oracle.

Nos próximos posts pretendo continuar explorando alguns conceitos específicos do Oracle Weblogic Server.

Abraço ;-)

Weblogic e Java Classloading: parte 1

Neste post descrevo um pouco sobre o modelo de Classloading Java. Na sequência pretendo escrever sobre Classloading no contexto do Oracle Weblogic Application Server. A fonte de referência usada neste post é a excelente documentação oficial do Weblogic [1].

O mecanismo de Classloading é uma “peça” importantíssima dentro da Máquina Virtual Java (JVM). É o mecanismo responsável por encontrar e carregar uma Classe Java na memória da JVM em tempo de execução. Quando uma aplicação referencia uma Classe Java em tempo de execução, é o Classloader (CL) quem localiza e carrega sua definição na Memória Heap. Nesse processo de carga, caso a classe não seja localizada no Classpath ocorre a famosa ClassNotfoundException (dentre outras exceptions associadas à este tipo de problema).

Classloader hierárquico

Por definição a JVM trabalha com uma hierarquia de Classloader (Java Classloader Hierarchy) semelhante ao relacionamento hierárquico entre classes Java (Superclasses e Subclasses). Na raiz dessa hierarquia está o bootstrap classloader – carregado pela JVM e composto por classes internas distribuídas pelas bibliotecas da JDK (classes pertencentes ao pacote java.*) – geralmente localizadas em <JAVA_HOME>/jre/lib/rt.jar.

No segundo nível do CL está o extensions classloader. Neste CL são carregadas as classes localizadas em <JAVA_HOME>/jre/lib/ext. Utilizar este diretório é uma forma de estender o CL padrão do Java. Entretanto as bibliotecas localizadas nesse diretório devem ser autocontidas, ou seja, não podem depender de classes/bibliotecas externas.

Estendendo o “extension classloader” está o system classloader, responsável por carregar classes contidas no classpath utilizado para carregar a JVM. Seguindo a hierarquiva vem o “application classloader“. A partir desse nível são definidos os classloaders específicos da aplicação (por exemplo o classloader carregado pelo Weblogic).

NOTA: No contexto do Weblogic, o termo utilizado pela Oracle para referenciar o classloader utilizado pelo Applciation Server é “system classloader”. Nesse mesmo contxto o temo “application classloader” refere-se às bibliotecas e aplicações Java Enterprise Edition (JavaEE).

A imagem abaixo [2] mostra a hierarquia padrão do modelo de classloader do Java.

clhierarchy

Carregamento (loading) de classes

De acordo com o artigo “Demystifying class loading problems, Part 1: An introduction to class loading and debugging tools” [2] publicado no site IBM developerWorks, o processo de carregamento de uma Classe Java pode ser separado em três momentos distintos: loading, linking e initializing.

A imagem abaixo [2] mostra o processo de class loading de uma Classe Java.

cl phases

Primeiro (loading phase) o arquivo (.class) binário da classe é localizado (dentro da lista de classes/bibliotecas informada no classpath usado pela JVM) e carregado no Bytecode. O processo de loading define, internamente na JVM, uma estrutura básica para que a classe seja carregada em memória.

No segundo momento o processo de linking realiza três passos adicionais:

  • Bytecode verification: neste passo o classloader se certifica de que o bytecode da classe está ok.
  • Class preparation: neste passo a estrutura necessária para acomodar a definição da classe (métodos, campos, interfaces implementadas, etc) é preparada.
  • Resolving: neste passo o classloader carrega todas as dependências referenciadas pela classe em questão. Pode-se entender como a montagem do grafo de dependências referenciadas por: hierarquia de classes pais (superclasses), interfaces, campos, assinatura de métodos, etc.

No terceiro e último momento (initializing) o conteúdo estático (static fields, static blocks, etc) da classe é inicializado.

Após esse processo a Classe é considerada como carregada e pode ser utilizada pela aplicação.

Modelo de Delegação (delegation model)

Outro aspecto importante relacionado ao Classloader é o modelo utilizado para carregamento de uma classe. Antes de falar sobre o modelo de delegação em si vale a pena comentar um pouco sobre o “disparo” de carregamento de uma Classe Java. Existe basicamente duas formas de iniciar (disparar/delegar) o carregamento de uma classe: carregamento explícito e carregamento implícito.

Na primeira forma a classe é carregada explicitamente usando as seguintes chamadas no código Java:

 cl.loadClass("com.mycompany.MyClass");  //cl é uma instância de java.lang.ClassLoader
 Class.forName("com.mycompany.MyClass"); //o classloader pais neste caso é o mesmo usado para carregar a classe na qual a chamada à Class.forName() está sendo realizada.

Quando uma dessas chamadas é realizada de forma explícita ocorre o seguinte: se a classe referenciada já estiver sido carregada anteriormente, uma referência à esta classe é retornada. Caso contrário o CL utiliza o modelo de delegação para carregar a classe.

Na segunda forma a classe é carregada por referência, ou seja, quando ela é referenciada por outra classe carregada em um momento distinto (conforme descrito no passo ‘Resolving‘ da fase ‘Linking‘ do processo de classloading descrito no tópico anterior). Assim como no carregamento implícito, caso a classe já tenha sido carregada, uma referência à ela é retornada. Caso contraário o carregamento realizado usando o modelo de delegação.

No modelo de delegação a implementação do classloader faz uma checagem inicial para verificar se a classe solicitada já foi carregada e reside no cache. Essa checagem melhora a performance de carregamento, pois caso a classe já esteja no cache, não será necessário carregá-la novamente do disco. Se a classe não for encontrada no cache o CL atual primeiro solicita a classe ao seu pai (superior imediato na hierarquia). Somente se a classe não puder ser carregada pelo CL pai o CL em questão (filho) tenta carregar a classe. Caso a classe solicitada seja encontrada nos dois CLs (pai e filho), a versão encontrada no CL pai é carregada.

Este modelo de delegação é utilizado para evitar que existam múltiplas cópias de uma mesma classe sejam carregadas. Múltiplas cópias de uma mesma classe podem ocosionar problemas de conflito de classes gerando exception como a famosa ClassCastException. Para mais detalhes sobre os diferentes problemas ocasionados devido ao conflito de classes em um classloader consulte o artigo “Demystifying class loading problems, Part 2: Basic class loading exceptions” [3]. Nesse artigo o autor explica as diferentes exceptions geralmente relaciodas ao conflito de classes em classloaders.

O ponto a ser destacado no modelo de delegação utilizado pelo Java Classloader é:

Um classloader filho (ex: application classloader) solicita a classe primeiro ao seu pai antes de tentar localizar e carregar por conta própria.

Por exemplo: Quando uma classe da sua aplicação (carregada pelo CL da aplicação) referencia uma classe fornecida pelo JDK (ex: java.lang.String), o carregamento é delegado pelo boostrap/root classloader (que de fato carregou as classes contidas em JAVA_HOME/jre/lib/rt.jar).

___
[1] http://docs.tpu.ru/docs/oracle/en/fmw/11.1.1.6.0/web.1111/e13706/classloading.htm
[2] http://www.ibm.com/developerworks/java/library/j-dclp1/
[3] http://www.ibm.com/developerworks/java/library/j-dclp2/

Onde obter versões antigas do Java (JDK e JRE)

A plataforma Java é uma tecnologia bastante madura e bem antiga. De acordo com a página Java Version History no Wikipedia a primeira release (1.0) do Java Development Kit (JDK) data de Janeiro de 1996. Com uma trajetória tão longa e com sucesso comprovado no mercado corporativo não é raro nos depararmos com projetos em plena execução em versões antigas dessa plataforma.

“Volta e meia” precisamos baixar uma versão antiga da JVM para realizar testes ou preparar um ambiente semelhante ao atual ambiente de execução do projeto. Mas, onde podemos obter versões oficiais e específicas do Java (JVM, JRE, bibliotecas, etc)? As versões mais antigas eram mantidas pelo “falecida” Sun Microsystems. Bem, existe uma página que faço questão de manter em meus Favoritos. Trata-se da página “Oracle Java Archive“. Nela é possível obter todas as versões antigas da plataforma Java Standard/Enterprise Edition, inclusive bibliotecas depreciadas.

oraclejavaarchive

Ninguém gosta de lidar com velharia. Mas pra quem lida com consultoria em plataformas “maduras” como o Java isso é quase inevitável.

Abraço.

Root login no Oracle Solaris 11

Recentemente criei uma máquina virtual x86 para rodar o Oracle Solaris 11 usando o VirtualBox. A ideia é utilizar essa VM como ambiente de prova de conceito para produtos da linha Oracle Fusion Middleware. Como todo sistema Unix-like o Solaris possui algumas restrições de segurança que impossibilita o acesso de root via SSH. Minha primeira tentativa foi editar a configuração do serviço sshd e habilitar a flag ‘PermitRootLogin’. Entretanto, isso não basta para que o login de root funcione no Solaris.

Após algumas “googladas” descobri que é necessário realizar os seguintes ajustes na configuração do S.O:

  • Habilitar o login de root no serviço sshd. Edite o arquivo /etc/ssh/sshd_config
# Are root logins permitted using sshd.
# Note that sshd uses pam_authenticate(3PAM) so the root (or any other) user
# maybe denied access by a PAM module regardless of this setting.
# Valid options are yes, without-password, no.
PermitRootLogin yes
  • Comentar a propriedade ‘CONSOLE’ no arquivo /etc/default/login
# If CONSOLE is set, root can only login on that device.
# If the specified device is /dev/console, then root can also log into
# any of the currently enabled /dev/vt/# virtual terminal devices.
# Comment this line out to allow remote login by root.
#
#CONSOLE=/dev/console
  • Editar a configuração do módulo PAM. Edite o arquivo /etc/pam.conf

Adicione a seguinte linha no fim do arquivo:

sshd-kbdint   account   required   pam_unix_account.so.1

Adicionado em 18/01/2013.

  • Para permitir o login de root pela console/shell da própria máquina é necessário alterar a role na qual o root está associado. Execute o seguinte comando como root.
root@solaris11:~# rolemod -K type=normal root
Found user in files repository.
UX: rolemod: root is currently logged in, some changes may not take effect until next login.

Agora tente executar o login como root pela console da máquina/VM (sem ser via ssh).

obs: obviamente, por questões de segurança, essa configuração não é interessante em ambiente de produção.

;-)

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