Curiosidades, Java, JVM

Weblogic e Java Classloading: parte 1

Neste post descrevo um pouco sobre o modelo de Classloading Java. Na sequência pretendo escrever sobre Classloading no contexto do Oracle Weblogic Application Server. A fonte de referência usada neste post é a excelente documentação oficial do Weblogic [1].

O mecanismo de Classloading é uma “peça” importantíssima dentro da Máquina Virtual Java (JVM). É o mecanismo responsável por encontrar e carregar uma Classe Java na memória da JVM em tempo de execução. Quando uma aplicação referencia uma Classe Java em tempo de execução, é o Classloader (CL) quem localiza e carrega sua definição na Memória Heap. Nesse processo de carga, caso a classe não seja localizada no Classpath ocorre a famosa ClassNotfoundException (dentre outras exceptions associadas à este tipo de problema).

Classloader hierárquico

Por definição a JVM trabalha com uma hierarquia de Classloader (Java Classloader Hierarchy) semelhante ao relacionamento hierárquico entre classes Java (Superclasses e Subclasses). Na raiz dessa hierarquia está o bootstrap classloader – carregado pela JVM e composto por classes internas distribuídas pelas bibliotecas da JDK (classes pertencentes ao pacote java.*) – geralmente localizadas em <JAVA_HOME>/jre/lib/rt.jar.

No segundo nível do CL está o extensions classloader. Neste CL são carregadas as classes localizadas em <JAVA_HOME>/jre/lib/ext. Utilizar este diretório é uma forma de estender o CL padrão do Java. Entretanto as bibliotecas localizadas nesse diretório devem ser autocontidas, ou seja, não podem depender de classes/bibliotecas externas.

Estendendo o “extension classloader” está o system classloader, responsável por carregar classes contidas no classpath utilizado para carregar a JVM. Seguindo a hierarquiva vem o “application classloader“. A partir desse nível são definidos os classloaders específicos da aplicação (por exemplo o classloader carregado pelo Weblogic).

NOTA: No contexto do Weblogic, o termo utilizado pela Oracle para referenciar o classloader utilizado pelo Applciation Server é “system classloader”. Nesse mesmo contxto o temo “application classloader” refere-se às bibliotecas e aplicações Java Enterprise Edition (JavaEE).

A imagem abaixo [2] mostra a hierarquia padrão do modelo de classloader do Java.

clhierarchy

Carregamento (loading) de classes

De acordo com o artigo “Demystifying class loading problems, Part 1: An introduction to class loading and debugging tools” [2] publicado no site IBM developerWorks, o processo de carregamento de uma Classe Java pode ser separado em três momentos distintos: loading, linking e initializing.

A imagem abaixo [2] mostra o processo de class loading de uma Classe Java.

cl phases

Primeiro (loading phase) o arquivo (.class) binário da classe é localizado (dentro da lista de classes/bibliotecas informada no classpath usado pela JVM) e carregado no Bytecode. O processo de loading define, internamente na JVM, uma estrutura básica para que a classe seja carregada em memória.

No segundo momento o processo de linking realiza três passos adicionais:

  • Bytecode verification: neste passo o classloader se certifica de que o bytecode da classe está ok.
  • Class preparation: neste passo a estrutura necessária para acomodar a definição da classe (métodos, campos, interfaces implementadas, etc) é preparada.
  • Resolving: neste passo o classloader carrega todas as dependências referenciadas pela classe em questão. Pode-se entender como a montagem do grafo de dependências referenciadas por: hierarquia de classes pais (superclasses), interfaces, campos, assinatura de métodos, etc.

No terceiro e último momento (initializing) o conteúdo estático (static fields, static blocks, etc) da classe é inicializado.

Após esse processo a Classe é considerada como carregada e pode ser utilizada pela aplicação.

Modelo de Delegação (delegation model)

Outro aspecto importante relacionado ao Classloader é o modelo utilizado para carregamento de uma classe. Antes de falar sobre o modelo de delegação em si vale a pena comentar um pouco sobre o “disparo” de carregamento de uma Classe Java. Existe basicamente duas formas de iniciar (disparar/delegar) o carregamento de uma classe: carregamento explícito e carregamento implícito.

Na primeira forma a classe é carregada explicitamente usando as seguintes chamadas no código Java:

 cl.loadClass("com.mycompany.MyClass");  //cl é uma instância de java.lang.ClassLoader
 Class.forName("com.mycompany.MyClass"); //o classloader pais neste caso é o mesmo usado para carregar a classe na qual a chamada à Class.forName() está sendo realizada.

Quando uma dessas chamadas é realizada de forma explícita ocorre o seguinte: se a classe referenciada já estiver sido carregada anteriormente, uma referência à esta classe é retornada. Caso contrário o CL utiliza o modelo de delegação para carregar a classe.

Na segunda forma a classe é carregada por referência, ou seja, quando ela é referenciada por outra classe carregada em um momento distinto (conforme descrito no passo ‘Resolving‘ da fase ‘Linking‘ do processo de classloading descrito no tópico anterior). Assim como no carregamento implícito, caso a classe já tenha sido carregada, uma referência à ela é retornada. Caso contraário o carregamento realizado usando o modelo de delegação.

No modelo de delegação a implementação do classloader faz uma checagem inicial para verificar se a classe solicitada já foi carregada e reside no cache. Essa checagem melhora a performance de carregamento, pois caso a classe já esteja no cache, não será necessário carregá-la novamente do disco. Se a classe não for encontrada no cache o CL atual primeiro solicita a classe ao seu pai (superior imediato na hierarquia). Somente se a classe não puder ser carregada pelo CL pai o CL em questão (filho) tenta carregar a classe. Caso a classe solicitada seja encontrada nos dois CLs (pai e filho), a versão encontrada no CL pai é carregada.

Este modelo de delegação é utilizado para evitar que existam múltiplas cópias de uma mesma classe sejam carregadas. Múltiplas cópias de uma mesma classe podem ocosionar problemas de conflito de classes gerando exception como a famosa ClassCastException. Para mais detalhes sobre os diferentes problemas ocasionados devido ao conflito de classes em um classloader consulte o artigo “Demystifying class loading problems, Part 2: Basic class loading exceptions” [3]. Nesse artigo o autor explica as diferentes exceptions geralmente relaciodas ao conflito de classes em classloaders.

O ponto a ser destacado no modelo de delegação utilizado pelo Java Classloader é:

Um classloader filho (ex: application classloader) solicita a classe primeiro ao seu pai antes de tentar localizar e carregar por conta própria.

Por exemplo: Quando uma classe da sua aplicação (carregada pelo CL da aplicação) referencia uma classe fornecida pelo JDK (ex: java.lang.String), o carregamento é delegado pelo boostrap/root classloader (que de fato carregou as classes contidas em JAVA_HOME/jre/lib/rt.jar).

___
[1] http://docs.tpu.ru/docs/oracle/en/fmw/11.1.1.6.0/web.1111/e13706/classloading.htm
[2] http://www.ibm.com/developerworks/java/library/j-dclp1/
[3] http://www.ibm.com/developerworks/java/library/j-dclp2/

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Curiosidades, Dicas, Java

Onde obter versões antigas do Java (JDK e JRE)

A plataforma Java é uma tecnologia bastante madura e bem antiga. De acordo com a página Java Version History no Wikipedia a primeira release (1.0) do Java Development Kit (JDK) data de Janeiro de 1996. Com uma trajetória tão longa e com sucesso comprovado no mercado corporativo não é raro nos depararmos com projetos em plena execução em versões antigas dessa plataforma.

“Volta e meia” precisamos baixar uma versão antiga da JVM para realizar testes ou preparar um ambiente semelhante ao atual ambiente de execução do projeto. Mas, onde podemos obter versões oficiais e específicas do Java (JVM, JRE, bibliotecas, etc)? As versões mais antigas eram mantidas pelo “falecida” Sun Microsystems. Bem, existe uma página que faço questão de manter em meus Favoritos. Trata-se da página “Oracle Java Archive“. Nela é possível obter todas as versões antigas da plataforma Java Standard/Enterprise Edition, inclusive bibliotecas depreciadas.

oraclejavaarchive

Ninguém gosta de lidar com velharia. Mas pra quem lida com consultoria em plataformas “maduras” como o Java isso é quase inevitável.

Abraço.

Curiosidades

O que signfica POC?

Caracas perdoem a minha inocência…

Volta e meia eu ouvia alguns consultores, pelo menos da área de TI, usando este termo em reuniões – e eu sempre com vergonha de perguntar o que isso significava. Resolvi dar uma googlada e descobri dois significados:

POC – Point of contact; ou

POC – Proof Of Concept

Creio que o segundo faz mais sentido para consultoria e pré-vendas…

valew!

Curiosidades, Tools

Os grandes também usam software proprietário…

Esses dias navegando de bobeira encontrei no rodapé de uma página da RedHat Support o link de uma empresa que trabalha com ferramentas de colaboração e de apoio ao desenvolvimento de software. Essa empresa é a Atlassian.com.

Com certeza você já caiu em uma aplicação deles buscando um código fonte ou informações sobre um bug de alguma ferramenta pela web…

Já ouviu falar em JIRA, Confluence, FishEye, etc? Pois é! São ferramentas desenvolvidas e comercializadas pela Atlassian. O interessante é que olhando o Customer list dos caras, podemos ver grandes playes, inclusive do mundo OSS, utilizando tais softwares. Provavelmente esses players pensaram: “Desenvolver ou Adquirir?” lá do Gerência de Aquisição do PMBOK…